O Enfermeiro – Machado de Assis

O Enfermeiro – Machado de Assis

Machado de Assis Literatura Brasileira

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Descrição

O conto é narrado em primeira pessoa, é emocionante a maneira como o autor consegue retratar o velho. Há ação na história do inicio ao fim, principalmente na morte do coronel. O conto relata a história de um velho rabugento e doente, que necessariamente precisa do auxílio de um enfermeiro.

Detalhes do Livro

  • Título: O Enfermeiro
  • Autor: Machado de Assis
  • Instituição: USP
  • Ano: 1994 – 1ª Edição
  • Nº de Páginas: 007
  • Tipo: Livro Digital
  • Formato: .pdf
  • Licença: Gratuita

Análise Literária

O Enfermeiro, de Machado de Assis, é um conto que explora com profundidade os limites entre culpa, moralidade e interesse pessoal. Narrado em primeira pessoa, acompanha a confissão de Procópio, um enfermeiro que se vê envolvido em um episódio trágico enquanto cuida de um coronel autoritário e violento. Mais do que relatar um acontecimento, Machado conduz o leitor por um delicado processo de justificação e conflito de consciência.

O grande mérito da narrativa está na construção psicológica do narrador. À medida que Procópio revisita os fatos, suas explicações tornam-se cada vez mais ambíguas, revelando como a mente humana é capaz de reinterpretar o passado para aliviar o peso da culpa. Em vez de oferecer respostas definitivas, Machado convida o leitor a questionar a sinceridade do relato e a refletir sobre até que ponto somos capazes de justificar nossos próprios atos.

Com linguagem elegante, ironia refinada e uma narrativa envolvente, o autor transforma um acontecimento isolado em uma reflexão universal sobre ética, consciência e ambição. O desfecho reforça uma crítica sutil aos valores da sociedade, mostrando como o interesse material pode, aos poucos, silenciar os dilemas morais mais profundos.

Mesmo sendo um conto breve, O Enfermeiro reúne as características que consagraram Machado de Assis: personagens complexos, ironia sofisticada e uma extraordinária compreensão da psicologia humana. É uma leitura que permanece atual justamente por mostrar que, muitas vezes, os maiores conflitos não acontecem entre as pessoas, mas dentro da própria consciência.